O que é um bordado senão as mãos tecedoras da pessoa na viagem da linha na agulha. O que se borda é tão, minuciosamente, cuidadoso que explode em cores de matizes que não se espera. Bordar é ato de criação, paciência e beleza. Beleza também no seu avesso.

Penso que um longo casamento também é bordado. Quantas vezes não se “desmanchou” o ponto para que exibisse melhor acabamento? O traçado, as cores escolhidas, o desenho que se demora saber… Os sentimentos tão vivos de quem quer fazer mais bonito; de quem quer mostrar ao outro do que é capaz… Casamentos longos são como bordados. Nascem de um ponto e viram flor. Nesse caminho do ponto a flor, dedos furados, sangue, êxtase e contentamento. Caminho, estrada.

Viver junto não é fácil! E mesmo quando se conhece muito, além de muito, depois de 25 anos, celebrar a vida desse tempo, agora com lindos frutos, me parece glorioso. É tecido bordado de amor. Tudo ali tem o traço dos dois. E dos filhos; dos amigos; dos padrinhos; da mãe; do pai e irmãos. Tudo remete ao começo, aos primeiros pontos tocados no pano. Tudo acontece para revelar que valeu a pena. Não é fácil “bordar” o dia a dia; fazer desenhos diferentes; misturar cores… Estar junto é a arte de tecer bordados diários e arrumá-los e desfazê-los quantas vezes forem necessárias. ” A vida é um fazer e desfazer-se infinito…”, tentativa preciosa da compreensão.

A música compõe o ambiente e emociona mesmo quem não mais acredita em finais felizes. As crianças viram anjos da guarda no tapete vermelho e os filhos, frutos de generosa colheita, são inteiros pedaços deles. A doce senhora, mãe e mulher também bordadeira, leva as alianças e os abençoa. Me arrepio. Tudo é tocante e bonito.

” Ainda que eu falasse a língua dos homens, e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria…” Ouço essas palavras, entendendo o novo tempo que chega para eles e para nós. A renovação de uma vida de dois, passa hoje pela vida de muitos.  Tenho certeza, meus amores, saí também renovada, querendo “bordar” muito mais! Porque sem amor, eu nada seria.

 

 

 

Texto: Luciana Branco
Foto: Reprodução Internet