Também conhecida como pseudociese, a gravidez psicológica em cadelas é uma ocorrência bastante comum, e que pode acarretar em diversas complicações na vida das pets. Afetando mais da metade das cadelas não castradas, o problema pode acontecer, inclusive, em cachorras que nunca acasalaram; sendo que a fêmea que sofre com esta ocorrência uma vez tem grandes chances de passar pela situação em outras ocasiões.

Gerada em função de alterações hormonais no corpo do animal, a gravidez psicológica em cadelas pode ser explicada como um “engano” no organismo das fêmeas, desencadeando mudanças que afetam tanto a parte psicológica quanto a física do animal.

Embora o quadro seja mais comum em cachorras não castradas, ele também pode se desenvolver em fêmeas que forem castradas em um período de até três meses após o começo do cio, promovendo mudanças de comportamento que tornam a pet mais maternal e podem até influenciar o desenvolvimento do tecido mamário.

Variando em cada caso, os sintomas da gravidez psicológica em cadelas podem ser bastante leves – fazendo com que o quadro nem ao menos seja notado pelos donos da pet – ou graves; sendo que, em muitos casos, a cadela que desenvolve a pseudociese pode passar pelo problema de maneira recorrente, apresentando sinais da situação em todas as vezes que ocorre o cio, apresentando sintomas mais claros como leite nas mamas, adoção de objetos como se eles fossem filhotes, entre outros.

 

Complicações da pseudociese

Infelizmente, esse quadro bastante comum na vida das cadelas pode acarretar uma série de problemas bastante complicados, incluindo tumores, infertilidades e o câncer no animal. As inflamações no útero e a endometriose são alguns dos fatores principais para que uma fêmea canina tenha mais possibilidades de se tornar infértil, enquanto a disfunção hormonal é tida como fator de risco para o surgimento do câncer.

A inflamação nas glândulas mamárias da cadela – também conhecida como mastite – e o surgimento de tumores na região também podem ocorrer em função das alterações que ocorrem na fêmea, já que o leite produzido pelas cachorras com gravidez psicológica é reabsorvido pelo corpo, e isso pode causar consequências que incluem o empedramento do leite, dores, caroços e tumores na área, além de irritações na pele da região, que fica bastante avermelhada.

Nestes casos há, ainda, a possibilidade de que essa produção de leite seja mais estimulada pela própria fêmea (por meio da auto-sucção das mamas), aumentando tanto a gravidade como o período do problema – e o uso de colares elisabetanos (os famosos cones) são indicados para que a complicação não se agrave. Além de estimular a produção do leite, o ato da auto-sucção das mamas também pode causar feridas sérias na região mamária, necessitando de outros cuidados específicos.

O empedramento do leite também é uma possibilidade nos casos de pseudociese, podendo causar dor, febre e infecções sérias nas mamas das cachorrinhas.

Prevenção da gravidez psicológica em cadelas

Embora não seja um método de eficácia garantida nos primeiros meses, a castração das fêmeas é uma das maneiras mais populares para se evitar a gravidez psicológica em cadelas, já que evita a produção dos hormônios ligados à gestação na pet e, dessa forma, diminui as chances do aparecimento do quadro.

Além de evitar a pseudociese, esse tipo de procedimento também previne a cadela contra crias indesejadas e todas as alterações de humor e agressividade que ocorrem nos casos de gravidez psicológica em fêmeas caninas.

Tratamento da pseudociese em cadelas

É extremamente importante lembrar que, ao notar os principais sintomas da pseudociese em sua cachorrinha, uma consulta com um profissional veterinário deve ser marcada – para que o tratamento adequado possa ser indicado e a pet não sofra com as consequências prejudiciais que esse quadro pode facilitar.

Na maioria das vezes, os comportamentos atípicos das fêmeas duram cerca de duas semanas, apenas, e desaparecem naturalmente – não necessitando de medicamentos ou medidas específicas para que a cadela seja tratada. Nestes casos, o procedimento indicado é que os donos deixem a fêmea o mais a vontade possível, sem tentar tirar suas crias imaginárias do ninho ou se aproximar demais, já que isso pode deixar a fêmea ainda mais agressiva e ansiosa.

Remédios para equilibrar a produção de hormônios podem ser receitados em casos mais graves e que podem trazer muitos riscos para a saúde da pet, ajudando a evitar problemas maiores como a inflamação nas mamas da cadela (em função da produção de leite).

Por meio desse tipo de tratamento – que envolve medicamentos que inibem a produção de prolactina – é possível fazer com que o leite produzido pela cadela seque, evitando o aparecimento de nódulos, tumores e quaisquer outras complicações mamárias no animal, além dos comportamentos alterados que as fêmeas apresentam durante esta fase.

 

 

 

 

Colunista: Josy Alves (jornalista)
Fonte: cachorrogato
Foto: Site Campos Agora