O empresário Eike Batista foi preso por agentes da Polícia Federal, na manhã desta quinta-feira (08/08), em mais uma fase da Operação Lava-Jato que acontece no Rio. A prisão foi determinada pelo juiz Marcelo Bretas, a partir de um pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF). O empresário saiu de casa por volta das 9h45 acompanhado dos policiais e já está na Superintedência da PF. Após fazer exame de corpo de delito, Eike será levado para o presídio de Bangu 8.

A ação, denominada “Segredo de Midas”, tem como objetivo a busca de provas relativas à manipulação do mercado de capitais e à lavagem de dinheiro do esquema comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral. O nome faz alusão à mitologia grega na qual o rei Midas transformava em ouro tudo o que tocava.

No total, a PF cumpre quatro mandados de busca e dois de prisão, sendo a de Eike temporária, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Outro alvo de prisão é o contador de Eike, Luiz Arthur Andrade Correia, conhecido como Zartha. As primeiras informações dos investigadores dão conta de que ele está no exterior.

Além da prisão de Eike, que é temporária, ou seja, vale por cinco dias, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão de documentos nas residências dos dois filhos mais velhos de Eike, Thor e Olin. A prisão do empresário ocorre após a recém-homologada delação premiada do banqueiro Eduardo Plass.

HAMBÚRGUER E BLOQUEIO

De acordo com o MPF, entre 2010 e 2013, foram manipulados os mercados de ações das empresas Ventana Gold Corp, utilizada como falso pretexto para encobrir o repasse ilícito de recursos a Cabral, Galway Resources Ltd, MMX, MPX e OGX. Em outros casos, foram usadas informações privilegiadas, como em negociações relativas ao Burger King e à CCX. No total, foram movimentados mais de R$ 800 milhões.

Além das prisões, foi determinada busca e apreensão em endereços ligados a José Gustavo Costa, ex-diretor-presidente e diretor de relações com investidores da CCX e bloqueio dos bens de Eike e de seus filhos, Thor e Olin Batista, no valor de R$ 1,6 bilhão, sendo R$ 800 milhões por danos morais e R$ 800 milhões por danos materiais.

Já a Plass firmou acordo de colaboração premiada e irá pagar R$ 300 milhões em multa e devolver US$ 9,2 milhões de Eike que estão sob sua custódia no exterior.

Eike já havia sido preso em janeiro de 2017. Na ocasião, a acusação era de de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Quatro meses depois, Gilmar Mendes o libertou. O empresário — que já foi o homem mais rico do Brasil — foi condenado a 30 anos de prisão, mas continuava solto.

Além da condenação, o empresário recebeu uma multa de R$ 53 milhões aplicada por Bretas. A decisão veio em um processo sobre Eike que investigava denúncias de corrupção ativa dentro do esquema do ex-governador, que também foi condenado na sentença a mais 22 anos e oito meses de cárcere por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Ex-bilionário, Eike foi acusado de pagar propina de US$ 16,5 milhões para Cabral no exterior. Além disso, o braço-direito do empresário e ex-vice-presidente do Flamengo, Flavio Godinho, também foi condenado a 22 anos de prisão.

 

 

 

Fonte: Extra 
Foto: Reprodução Internet