Depois que o presidente Jair Bolsonaro acusou o ator Leonardo DiCaprio de “tacar fogo na Amazônia”, o artista e ambientalista americano divulgou uma nota na manhã deste sábado negando ter apoiado as ONGs Saúde e Alegria e Instituto Aquífero do Alter do Chão, no Pará. O comunicado foi divulgado um dia depois de Bolsonaro declarar que DiCaprio estava “dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia”. A afirmação do presidente teria se baseado no inquérito que levou à prisão de quatro brigadistas voluntários que atuam nessas organização. A prisão, porém, foi revogada na quinta-feira, e o delegado do caso foi destituído pelo governador do Pará.

No comunicado, o ator afirmou que, “apesar de merecerem o apoio (econômico)”, não financiou as ONGs. O delegado José Humberto de Melo Jr, que foi destituído pelo governador do Pará da chefia do inquérito dos brigadistas, afirmou que os brigadistas se beneficiaram financeiramente da venda de fotos de um incêndio florestal supostamente iniciado pelas próprias ONGs ao WWF-Brasil, que, através das imagens, teriam recebido uma doação de US$ 500 mil de DiCaprio.

O ator não menciona o presidente Bolsonaro na nota, mas se diz comprometido a apoiar “comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores e o público em geral que trabalha incansavelmente para proteger a Amazônia”. Ainda na avaliação do americano, o futuro de ecossistemas como a floresta “está em jogo”. “Tenho orgulho de estar ao lado dos grupos que os protegem”, prossegue DiCaprio, de 45 anos.

Relembre o caso

Desde a controversa prisão preventiva dos brigadistas de Alter do Chão, na última terça-feira, o núcleo duro do governo, ao lado de parlamentares bolsonaristas, repercutiu o inquérito da Polícia Civil do Pará como uma comprovação da tese do presidente, que, no passado, já havia responsabilizado ONGs pelas queimadas na Amazônia.

Na quinta-feira, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro repetiu a tese de que os brigadistas de Alter do Chão venderam fotos de incêndios criminosos para o WWF-Brasil, que nega categoricamente as transações, que por sua vez teria recebido US$ 500 mil de DiCaprio.

Na última sexta-feira, na saída do Palácio da Alvorada, ao tirar fotos e conversar com eleitores, ele respondeu a uma mulher quando foi perguntado sobre incêndios “criminosos”.

— O Leonardo Di Caprio é um cara legal, não é? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia — disse Bolsonaro.

Confira a íntegra da nota de DiCaprio:

“Em tempos de crise para a Amazônia, eu apoio as pessoas do Brasil que estão trabalhando para salvar sua herança natural e cultural. Eles são um exemplo incrível, inspirador e humilde da paixão e do comprometimento necessários para salvar o meio ambiente.

O futuro destes ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de estar ao lado dos grupos que os protegem. Apesar de merecerem apoio, nós não financiamos as ONGs citadas.

Continuo comprometido em apoiar as comunidades indígenas brasileiras, governos locais, cientistas, educadores e o público em geral que trabalham incansavelmente para proteger a Amazônia pelo futuro de todos os brasileiros.

Fonte: Extra
Foto: Reprodução Don Emmerts/AFP