O amor é rapaz folgado. Adolescente imaturo pregando peças de tamanhos variados. Um entra e sai; vai e volta; clareia e encarde; sobe e desce; esquenta e esfria; grita e emudece. Se um dia turvo, outro luz.

O amor é rapaz folgoso, cheio de rompantes. Entra em tua vida, despe tuas roupas, te joga no sofá e logo depois vai embora, sem se despedir. O amor tem tempo certo, duração.

Depois se confunde e esquece que é amor. O amor tem coração de passarinho, precisa cuidado senão adoece. O amor é inocente, culpado; dependente, livre; puro, depravado.

O amor se esfrega, alisa; escorrega, desliza… O amor é como baile de carnaval, as vezes se acha, outras se perde. É perfume de lança perfume que entorpece. Amor é fácil! Difícil é não ter amor, pior, o desamor.

O desamor é a falta de amor por você. O amor não trinca, quebra. É o salto triplo sem rede. É a queda sem morte. O amor brinca quando ama, mas quando vai embora é sério.

Quando chega é furacão, montanha russa, trem bala descarrilhado; quando se despede, neblina, nevoeiro, escuridão… O amor é via de mão única ou contramão. estranho abstrato sentimento concreto.

Cura para a solidão, alívio para a alma; doença e ciúme para dois, tristeza pra depois. O amor é bebida forte, concentrada. Te faz tontear, tatear, estremecer… Perder-se para se encontrar no outro; encontrar-se e perder o outro.

O amor é tinta fresca, colore e mancha; tela em branco ou preto no branco. O amor é corda bamba, cabo de guerra, cobra cega, pique esconde. É mergulho de apneia; fôlego e afogamento. É banho quente, sauna; frio, cachoeira… É música e silêncio; livro ou página; carne ou vegetal. O amor é viagem para dentro e para fora de dois.

É a longa ou curta travessia entre a partida e a chegada. O amor é o primeiro ato do espetáculo ou o The End da tela do cinema. O amor é carvão, faísca, brasa, cinza… O amor é o infinito mar da busca do entender o que nunca será compreendido.

 

Texto:Luciana Branco
Foto: Reprodução Internet