Venda da Cedae e acordo com a Vale dão fôlego aos governadores do Rio e de MG na reta final do mandato

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8 de agosto de 2021
Escrito por: Redação

À frente de dois estados entre os mais endividados do país, os governadores do Rio, Cláudio Castro (PSC), e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), ganham fôlego na reta final do mandato com a previsão de aportes bilionários nos cofres estaduais. A venda da Cedae e o acordo firmado com a mineradora Vale pelo rompimento da barragem em Brumadinho se tornaram trunfos eleitorais para ambos, que pretendem disputar a reeleição, a cerca de um ano do início da campanha.

O Rio terá em caixa R$22,6 bilhões para investimentos pela venda da empresa de saneamento, enquanto o governo mineiro receberá R$11 bilhões do acordo firmado com a Vale. Os recursos serão destinados às prefeituras e para encampar obras de mobilidade, Saúde e infraestrutura.

No Rio, Castro destinou R$7,6 bilhões aos 28 municípios que aderiram ao plano de concessão. A verba será paga em três parcelas: em 2021, 2022 e 2025. Os municípios que mais receberão até lá são a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo. O governador busca apoio dos prefeitos da Baixada Fluminense, um dos principais redutos eleitorais do estado, para a campanha à reeleição.

O prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), aliado do governador, esteve à frente das negociações para manter a divisão dos recursos do ágio do leilão da Cedae conforme foi acordado durante o governo de Wilson Witzel: em razão da população de cada um. As conversas com os deputados estaduais e integrantes do governo Castro garantiram mais recursos para a Baixada. Reis aposta que os investimentos vão trazer dividendos eleitorais ao governador.

— O impacto político é muito bom. Esse upgrade nas prefeituras vai garantir um apoio ainda maior ao governador. A Baixada, por exemplo, sofre com a falta de saneamento básico. Os investimentos que virão, tanto do governo do estado, quanto dos municípios,vão fazer a economia girar e gerar mais investimentos. O maior ganhador é o governador. Ele tem dialogado com a classe política, está rodando o estado e, com recursos, vai ter mais capital político — afirma o prefeito de Caxias.

Já em Minas Gerais, Romeu Zema vem buscando apoio nas cidades do interior para se consolidar como candidato à reeleição. O governador deve disputar a recondução ao cargo enfrentando o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que mantém alta aprovação na capital e na região metropolitana. O acordo do governo com a mineradora Vale é visto pelos deputados estaduais independentes e da base aliada como um dos trunfos de Zema para a campanha eleitoral do ano que vem — em 2018, o governador foi eleito na esteira da onda de apoio a nomes alinhados ao então candidato Jair Bolsonaro.

Dos R$ 11 bilhões que serão repassados pela Vale ao governo do estado, R$ 1,5 bilhão será enviado às prefeituras, de acordo com a população de cada cidade. Nos últimos três meses, Zema viajou por todo o estado para falar sobre as obras que seriam realizadas com os recursos da Vale.

Segundo o secretário de Infraestrutura e Mobilidade de Minas, Fernando Scharlack Marcato, cerca de R$5 bilhões serão investidos em obras de mobilidade, e o restante vai ser direcionado para um conjunto de intervenções, que vão da melhoria da estrutura do Corpo de Bombeiros à retomada da construção de nove hospitais regionais em todo o estado.

— Vamos investir no Rodoanel (R$3,5 bilhões), em parceria com instituições privadas, no complemento do metrô (R$427 milhões), com o governo federal, e o restante em pontes sobre o Rio São Francisco e na pavimentação e recuperação de rodovias — disse o secretário.

Reuniões Políticas

Com os cofres cheios, Zema já se reuniu com mais de cem prefeitos e vice-prefeitos desde o início do ano. Segundo aliados, o governador quer garantir apoio no interior, onde tem maior potencial de voto para se contrapor à popularidade de Kalil em Belo Horizonte.

— O estado tem 26 mil quilômetros de rodovia e 21 milhões de pessoas. Cada deputado que representa a sua região leva as suas demandas. Eu recebo de três a quatro deputados e 11 prefeitos por semana. E são demandas legítimas. Cabe a nós atender tecnicamente, não há rusgas. O governador já disse que vai concorrer à reeleição, mas isso não é feito a qualquer custo. É dentro de orientações técnicas. Se isso for percebido positivamente pela população, muito bem — afirma Fernando Scharlack.

Fonte: extra / Foto Repprdoução